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Com boa gestão,
não faltará água
Luiz Corrêa Noronha
 
Gestão de recursos hídricos:
aspectos conceituais
 
Estados evoluem
e criam gestores
 
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do saneamento
 
 
Direito à água
Luíz Antonio Timm Grassi
 
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Pró-Guaíba, um
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Vera Lúcia M. Callegaro
 
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CORSAN, 40 anos
Dos pioneiros ao século XXI:
histórias do tempo das águas
Omar L. de Barros Filho
 
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Água de todo o jeito
Luís Augusto Fischer
 
Fontes e referências bibliográficas
 
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Agradecimento
 
 
 
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Ambiente
A resposta é o equilíbrio

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Omar L. de Barros Filho e Sylvia Bojunga,
jornalistas e editores

A oportunidade de trabalhar na edição de Tempo das Águas proporcionou aos organizadores a chance de refletir sobre os recursos hídricos e o saneamento no Rio Grande do Sul e identificar, em todas as fontes – depoimentos, entrevistas, obras pesquisadas e bancos de imagens – a preocupação com a questão da sustentabilidade. Tal conceito há muito deixou de ser alvo de interesse apenas dos técnicos envolvidos em operacionalizar o uso das águas para consumo humano, industrial, agrícola, comercial ou de lazer. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a Década da Água, que iniciou em março de 2005. O objetivo da ONU é sensibilizar a comunidade internacional para reverter o quadro de poluição dos mares, rios e mananciais, e colaborar para a expansão dos serviços de água e saneamento, ainda inexistentes ou insuficientes para mais de 1,1 bilhão de pessoas.

O tema passou a freqüentar diariamente os noticiários dos meios de comunicação desde que o país virou alvo de instituições internacionais e de organizações não-governamentais em outros continentes. Os responsáveis pelas políticas públicas para ocupação da Amazônia, sobrevivência dos grupos indígenas, preservação de espécies animais, implantação de reservas e parques florestais, por exemplo, nem sempre permitiram o que se pode chamar de “interlocução civilizada”.

Em muitas ocasiões, as respostas verde-amarelas, principalmente durante o regime militar, e mesmo depois dele, não passaram de resmungos nacionalistas.

A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Am-biente e Desenvolvimento, a Eco-92, realizada em junho daquele ano, no Rio de Janeiro, foi um ponto de inflexão no processo de qualificação do debate, produzindo importantes efeitos na formação da consciência ambiental da população. O episódio, que durou 12 dias, sinalizou novos avanços, dignificou a redemocratização brasileira, e determinou que a sustentabilidade do meio ambiente seria vetor estratégico para o desenvolvimento nacional.

No Rio Grande do Sul, os dilemas do equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente sempre fizeram parte da agenda de trabalho de, no mínimo, três gerações de dirigentes públicos e técnicos. O debate ganhou amplitude e passou a ocupar espaço nas escolas, universidades, centros comunitários, clubes de serviços, enfim, em todos os locais por onde circulam as idéias e os projetos que movimentam a corrente sangüínea da cidadania.

Nesse sentido, o engenheiro civil e sanitarista, Luiz Corrêa Noronha, assessor da presidência da Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN), apresenta, no artigo “Com boa gestão, não faltará água”, uma visão global sobre os problemas que envolvem a disponibilidade da água e seu gerenciamento. Consultor internacional, Noronha também analisa a gestão brasileira dos recursos hídricos nos últimos 15 anos e sugere caminhos.
Já o engenheiro e historiador Luiz Antonio Timm Grassi, veterano de muitas batalhas pelas águas e pelo saneamento no Rio Grande do Sul, esclarece, em seu artigo “Direito à água”, conceitos e princípios relativos aos usos da água no cenário nacional e mundial.

De igual importância para a compreensão das ações governamentais em parceria com as comunidades é o texto de Vera Lúcia M. Callegaro, atual secretária executiva do Programa Pró-Guaíba. Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), esse programa, que contou com recursos originados nas contrapartidas do Governo do Estado, é considerado uma das iniciativas exemplares de manejo integrado de bacias na América Latina.
Colaborou também para a construção desta publicação o geólogo José Luiz Flores Machado, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), que integrou as ações que resultaram na publicação do mapa hidrogeológico do estado. Aqui, ele descreve os mares interiores que compõem o Aqüífero Guarani, uma riqueza subterrânea e parte da realidade atual do abastecimento de pequenas e grandes comunidades.

Convidamos o leitor a conhecer a linha do tempo que documenta parcela significativa da luta por água e saneamento em território gaúcho. O artigo “Dos pioneiros ao século XXI: histórias do tempo das águas” conta essa trajetória até os dias de hoje, quando o Brasil dispõe de legislação moderna, instrumentos democráticos de gestão, ainda sendo implantados, e mecanismos de controle e cobrança em vias de consolidar-se. Registramos, com satisfação, que boa parte dessa história passa pela atividade da CORSAN, uma das quatro maiores empresas do setor no país, que, em 2006, comemora quatro décadas de trabalho. Da mesma forma, participou do processo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), que reúne centenas de profissionais e que também completa 40 anos de atividades.

Finalmente, por meio da contribuição do professor e escritor Luís Augusto Fischer, Tempo das Águas mostra como o tema água perpassou a mente e a inventividade de escritores e poetas gaúchos. O texto “Água de todo jeito” transborda originais passagens e estrofes de nossa literatura que envolvem mitos e paixões da condição humana e sua relação com a natureza.


Tempo da água, tempo da vida
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Vitor Bertini, presidente da
Companhia Riograndense de Saneamento


A Década da Água, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em março de 2005, e reconhecida pelo governo brasileiro, propõe a mobilização mundial em torno de políticas, programas e projetos voltados ao uso e ao gerenciamento sustentável da água.

Na água está o futuro, a sobrevivência da espécie humana, a vida. Essa compreensão, porém, não é nova em nosso país. Em fins do século 19 e início do século 20, pesquisadores e técnicos brasileiros já antecipavam a preocupação com a infra-estrutura para abastecimento de água e saneamento básico. Foi o caso de membros da Academia Nacional de Medicina e do Instituto Oswaldo Cruz, antropólogos, funcionários públicos, políticos e escritores – entre eles Monteiro Lobato - que se reuniram para discutir os estudos sobre saúde pública divulgados pela Liga Pró-Saneamento do Brasil, criada em 1918.

Nas primeiras décadas do século passado, o engenheiro e sanitarista fluminense, Saturnino de Brito, deixou contribuição marcante em sua passagem por municípios do Rio Grande do Sul e em dezenas de cidades brasileiras, onde desenvolveu projetos que se tornaram referência nacional para o setor.
Também o sociólogo Gilberto Freyre, um dos mais importantes pensadores da realidade brasileira, em 1937 registrava, em seu livro “Nordeste”, o valor da água como parte do ser humano e de sua existência, como no trecho que serve de epígrafe para esta obra.

Alinhada à mobilização internacional, a Companhia Riograndense de Saneamento - CORSAN, que comemora 40 anos de atividades em 2006, busca referências no passado ao mesmo tempo em que projeta o futuro, com a meta de universalizar o abastecimento de água e o saneamento no Rio Grande do Sul.

A gigantesca obra social em curso, cuja ponta final é o bem-estar e a saúde da população, nem sempre é visível. O trabalho dos pioneiros do setor e das gerações seguintes de técnicos e engenheiros está também presente nas entranhas da terra, nas redes subterrâneas e na profundidade dos poços, onde prossegue a luta pela água.
Ao patrocinar a publicação de Tempo das Águas, a CORSAN tem a satisfação de oferecer aos gaúchos dos 344 municípios que abastece, e a toda a população do Rio Grande do Sul, esta publicação sobre a história do saneamento. História essa que tem um capítulo de destaque com o surgimento da nossa Companhia Riograndense de Saneamento. São 40 anos de avanços conquistados pelos cerca de 4,5 mil servidores que trabalham para levar, diariamente, condições mais dignas de vida para todos

Infografia de Anete-Schroder

 
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