| Ambiente
A resposta é o equilíbrio
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Omar L. de Barros Filho e Sylvia Bojunga,
jornalistas e editores
A oportunidade de trabalhar na edição de
Tempo das Águas proporcionou aos organizadores a chance de
refletir sobre os recursos hídricos e o saneamento no Rio
Grande do Sul e identificar, em todas as fontes – depoimentos,
entrevistas, obras pesquisadas e bancos de imagens – a preocupação
com a questão da sustentabilidade. Tal conceito há
muito deixou de ser alvo de interesse apenas dos técnicos
envolvidos em operacionalizar o uso das águas para consumo
humano, industrial, agrícola, comercial ou de lazer. A própria
Organização das Nações Unidas (ONU)
instituiu a Década da Água, que iniciou em março
de 2005. O objetivo da ONU é sensibilizar a comunidade internacional
para reverter o quadro de poluição dos mares, rios
e mananciais, e colaborar para a expansão dos serviços
de água e saneamento, ainda inexistentes ou insuficientes
para mais de 1,1 bilhão de pessoas.
O tema passou a freqüentar diariamente os noticiários
dos meios de comunicação desde que o país virou
alvo de instituições internacionais e de organizações
não-governamentais em outros continentes. Os responsáveis
pelas políticas públicas para ocupação
da Amazônia, sobrevivência dos grupos indígenas,
preservação de espécies animais, implantação
de reservas e parques florestais, por exemplo, nem sempre permitiram
o que se pode chamar de “interlocução civilizada”.
Em muitas ocasiões, as respostas verde-amarelas, principalmente
durante o regime militar, e mesmo depois dele, não passaram
de resmungos nacionalistas.
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Am-biente
e Desenvolvimento, a Eco-92, realizada em junho daquele ano, no
Rio de Janeiro, foi um ponto de inflexão no processo de qualificação
do debate, produzindo importantes efeitos na formação
da consciência ambiental da população. O episódio,
que durou 12 dias, sinalizou novos avanços, dignificou a
redemocratização brasileira, e determinou que a sustentabilidade
do meio ambiente seria vetor estratégico para o desenvolvimento
nacional.
No Rio Grande do Sul, os dilemas do equilíbrio entre desenvolvimento
e meio ambiente sempre fizeram parte da agenda de trabalho de, no
mínimo, três gerações de dirigentes públicos
e técnicos. O debate ganhou amplitude e passou a ocupar espaço
nas escolas, universidades, centros comunitários, clubes
de serviços, enfim, em todos os locais por onde circulam
as idéias e os projetos que movimentam a corrente sangüínea
da cidadania.
Nesse sentido, o engenheiro civil e sanitarista, Luiz Corrêa
Noronha, assessor da presidência da Companhia Riograndense
de Saneamento (CORSAN), apresenta, no artigo “Com boa gestão,
não faltará água”, uma visão global
sobre os problemas que envolvem a disponibilidade da água
e seu gerenciamento. Consultor internacional, Noronha também
analisa a gestão brasileira dos recursos hídricos
nos últimos 15 anos e sugere caminhos.
Já o engenheiro e historiador Luiz Antonio Timm Grassi, veterano
de muitas batalhas pelas águas e pelo saneamento no Rio Grande
do Sul, esclarece, em seu artigo “Direito à água”,
conceitos e princípios relativos aos usos da água
no cenário nacional e mundial.
De igual importância para a compreensão das ações
governamentais em parceria com as comunidades é o texto de
Vera Lúcia M. Callegaro, atual secretária executiva
do Programa Pró-Guaíba. Financiado pelo Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), esse programa, que contou com recursos
originados nas contrapartidas do Governo do Estado, é considerado
uma das iniciativas exemplares de manejo integrado de bacias na
América Latina.
Colaborou também para a construção desta publicação
o geólogo José Luiz Flores Machado, da Companhia de
Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), que integrou as ações
que resultaram na publicação do mapa hidrogeológico
do estado. Aqui, ele descreve os mares interiores que compõem
o Aqüífero Guarani, uma riqueza subterrânea e
parte da realidade atual do abastecimento de pequenas e grandes
comunidades.
Convidamos o leitor a conhecer a linha do tempo que documenta parcela
significativa da luta por água e saneamento em território
gaúcho. O artigo “Dos pioneiros ao século XXI:
histórias do tempo das águas” conta essa trajetória
até os dias de hoje, quando o Brasil dispõe de legislação
moderna, instrumentos democráticos de gestão, ainda
sendo implantados, e mecanismos de controle e cobrança em
vias de consolidar-se. Registramos, com satisfação,
que boa parte dessa história passa pela atividade da CORSAN,
uma das quatro maiores empresas do setor no país, que, em
2006, comemora quatro décadas de trabalho. Da mesma forma,
participou do processo a Associação Brasileira de
Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), que reúne
centenas de profissionais e que também completa 40 anos de
atividades.
Finalmente, por meio da contribuição do professor
e escritor Luís Augusto Fischer, Tempo das Águas mostra
como o tema água perpassou a mente e a inventividade de escritores
e poetas gaúchos. O texto “Água de todo jeito”
transborda originais passagens e estrofes de nossa literatura que
envolvem mitos e paixões da condição humana
e sua relação com a natureza.
Tempo da água, tempo da vida
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Vitor Bertini, presidente da
Companhia Riograndense de Saneamento
A Década da Água, instituída pela Organização
das Nações Unidas (ONU), em março de 2005,
e reconhecida pelo governo brasileiro, propõe a mobilização
mundial em torno de políticas, programas e projetos voltados
ao uso e ao gerenciamento sustentável da água.
Na água está o futuro, a sobrevivência da espécie
humana, a vida. Essa compreensão, porém, não
é nova em nosso país. Em fins do século 19
e início do século 20, pesquisadores e técnicos
brasileiros já antecipavam a preocupação com
a infra-estrutura para abastecimento de água e saneamento
básico. Foi o caso de membros da Academia Nacional de Medicina
e do Instituto Oswaldo Cruz, antropólogos, funcionários
públicos, políticos e escritores – entre eles
Monteiro Lobato - que se reuniram para discutir os estudos sobre
saúde pública divulgados pela Liga Pró-Saneamento
do Brasil, criada em 1918.
Nas primeiras décadas do século passado, o engenheiro
e sanitarista fluminense, Saturnino de Brito, deixou contribuição
marcante em sua passagem por municípios do Rio Grande do
Sul e em dezenas de cidades brasileiras, onde desenvolveu projetos
que se tornaram referência nacional para o setor.
Também o sociólogo Gilberto Freyre, um dos mais importantes
pensadores da realidade brasileira, em 1937 registrava, em seu livro
“Nordeste”, o valor da água como parte do ser
humano e de sua existência, como no trecho que serve de epígrafe
para esta obra.
Alinhada à mobilização internacional, a Companhia
Riograndense de Saneamento - CORSAN, que comemora 40 anos de atividades
em 2006, busca referências no passado ao mesmo tempo em que
projeta o futuro, com a meta de universalizar o abastecimento de
água e o saneamento no Rio Grande do Sul.
A gigantesca obra social em curso, cuja ponta final é o bem-estar
e a saúde da população, nem sempre é
visível. O trabalho dos pioneiros do setor e das gerações
seguintes de técnicos e engenheiros está também
presente nas entranhas da terra, nas redes subterrâneas e
na profundidade dos poços, onde prossegue a luta pela água.
Ao patrocinar a publicação de Tempo das Águas,
a CORSAN tem a satisfação de oferecer aos gaúchos
dos 344 municípios que abastece, e a toda a população
do Rio Grande do Sul, esta publicação sobre a história
do saneamento. História essa que tem um capítulo de
destaque com o surgimento da nossa Companhia Riograndense de Saneamento.
São 40 anos de avanços conquistados pelos cerca de
4,5 mil servidores que trabalham para levar, diariamente, condições
mais dignas de vida para todos
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