| Abes, 40 anos em defesa
da vida
A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária
e Ambiental (ABES), criada em 1966, é uma organização
não-governamental de caráter nacional, sem fins lucrativos,
que tem como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de
vida da sociedade brasileira, desenvolvendo atividades baseadas
na engenharia sanitária e nas ciências ambientais.
É o capítulo brasileiro da Asociación Interamericana
de Ingeniería Sanitaria y Ambiental (AIDIS), e sua atuação
está voltada ao repasse de conhecimentos da área de
saneamento. Isso é feito através de ações
destinadas ao aperfeiçoamento profissional e acadêmico
dos associados, cerca de seis mil profissionais, além de
empresas públicas e privadas da área.
Por intermédio de suas seccionais estaduais, a ABES desenvolve
importante trabalho de valorização do setor de saneamento
ambiental. A secional da ABES no Rio Grande do Sul, a ABES-RS, originou-se
da antiga subseção da AIDIS no estado, fundada em
1959. Atualmente, é uma das seccionais mais bem estruturadas,
tendo influenciado a criação do Sistema Estadual de
Recursos Hídricos, parâmetro para a criação
da legislação nacional.
A história da ABES no Rio Grande do Sul apresenta três
fases distintas, determinadas pelo surgimento e implementação
dos planos de saneamento impostos pelo governo militar instalado
no Brasil em 1964. A primeira fase foi curta: do surgimento e organização
como seccional da ABES nacional até a criação
do Plano Nacional de Saneamento (Planasa), em 1969.
A segunda, foi longa. Durou 16 anos, período em que a Associação
esteve muito ligada ao Planasa e ao Banco Nacional de Habitação
(BNH), atuando como uma espécie de linha auxiliar técnica
do governo. Nessa época, representantes da CORSAN e do DMAE
se revezavam na presidência da entidade. Ao longo dessa fase,
a ABES-RS passou por dois períodos extremos: depois de ter-se
desenvolvido tecnicamente, sendo reconhecida em âmbito nacional,
como uma entidade de alta competência, sofreu injunções
políticas que a levaram a declinar, até quase ser
ignorada pelos técnicos.
Mas a terceira fase, iniciada em 1993, foi de recuperação
e retomada de prestígio, com participação mais
próxima da sociedade. A ABES-RS voltou a crescer, recuperou
sócios e, acima de tudo, passou a participar da implementação
da lei que criou o Sistema Estadual de Recursos Hídricos,
aprovada em 1994, e possibilitou a criação dos Comitês
de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas.
A atuação nos comitês de bacia ajudou a tornar
a ABES-RS conhecida em todo o estado, inclusive em locais em que
nunca se tinha ouvido falar dela. E entidades como BRDE, BNDES,
Caixa Econômica Federal, que assumira as funções
do BNH, passaram a participar da ABES-RS. Atualmente, a Associação
mantém representante em diversos comitês de gerenciamento
de bacias do Rio Grande do Sul, já tendo presidido muitos
deles.
Além de recuperar e aumentar seu prestígio, a ABES-RS
conseguiu também realizar em Porto Alegre, com grande sucesso,
o 27o Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e
Ambiental, em 2001, o que ajudou a gerar recursos financeiros suficientes
para adquirir sede própria no ano seguinte.
Essa fase está em pleno desenvolvimento e vem sendo marcada
por realizações que têm contribuído para
a aproximação com a sociedade e difusão de
conhecimento tecnológico em favor da conservação
da vida. Destaca-se a instituição da Semana Interamericana
da Água, em outubro de 1994, que, em seguida, passou a ser
celebrada em todos os países membros da AIDIS. Atualmente,
quando se trata de água, saneamento ou meio ambiente, a ABES-RS
é uma referência.
| Nádia Raupp Meucci |
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