| Aqüífero Guarani:
solução no presente, reserva para o futuro
José Luiz Flores Machado
Geólogo da Companhia de Pesquisa de Recursos
Minerais (CPRM),
foi um dos coordenadores do Mapa Hidrogeológico do Rio Grande
do Sul
A CORSAN abastece mais de 300 municípios, total ou parcialmente,
com água subterrânea captada através de poços
tubulares. Para a empresa, a água subterrânea não
é apenas uma reserva estratégica para ser usada no
futuro, e sim uma realidade atual no abastecimento de pequenas e
grandes comunidades.
Com presença marcante na maioria dos municípios do
estado, a CORSAN capta água de diversas camadas aqüíferas,
associadas a rochas de diferentes origens, como aquelas relacionadas
aos derrames basálticos e outras predominantemente arenosas,
que podem estar tanto no litoral quanto nas regiões do interior.
O que se conhece por Sistema Aqüífero Guarani é
um conjunto de camadas aqüíferas subterrâneas,
que se estende pelo Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul, dentro do território brasileiro. Nos países
vizinhos do Mercosul, cobre parcialmente o Uruguai, a Argentina
e o Paraguai.
Por sua grande abrangência em área (1.200.000 km2),
podemos imaginar as dimensões das reservas de água
subterrânea. Elas são gigantescas, entretanto, ao contrário
do que passa pela imaginação popular, o Sistema Aqüífero
Guarani não constitui um “mar de água doce”,
e isso já foi amplamente constatado.
A experiência da CORSAN em utilizar água do Sistema
Aqüífero Guarani também está alcançando
40 anos. Desde seus primeiros dias, ela pesquisa, capta e distribui
suas águas. Esse sistema aqüífero, agora tão
famoso e divulgado, tinha outros nomes, também consagrados
no meio geológico. Poços de grande produtividade foram
perfurados, como em Alegrete, por exemplo, e águas captadas
no que se conhecia por Aqüífero Botucatu. Esse aqüífero
é constituído por rochas areníticas originadas
de um grande deserto. O tempo geológico encarregou-se de
preencher e armazenar com água os poros de suas dunas.
Na região central do Rio Grande do Sul, os poços que
abasteceram ou abastecem cidades como Santa Maria, Mata, São
Pedro do Sul e Santa Cruz do Sul, captaram águas do Aqüífero
Santa Maria, que hoje faz parte do grande sistema aqüífero.
A formação geológica armazenadora das águas
está relacionada com as conhecidas camadas que continham
fósseis de dinossauros e outros répteis.
Em cidades como Rosário do Sul, Cacequi e São Vicente
do Sul, os poços foram perfurados em camadas aqüíferas
de cores avermelhadas da antigamente denominada Formação
Rosário do Sul. As rochas areníticas, de origem fluvial,
hoje também estão incluídas dentro do grande
sistema aqüífero.
A grande seca de 2005 fez com que a CORSAN fosse “fundo”
na terra. Na cidade de Erechim, com a perfuração de
um poço de profundidade superior a 900 metros, foi tentada
uma solução radical e definitiva para se resolver
os graves problemas de abastecimento. O Sistema Aqüífero
Guarani foi encontrado e apresentou grande capacidade produtiva.
Seus problemas de qualidade são minimizados pela mistura
com águas superficiais de menor salinidade, armazenadas em
barragem.
Como pode ser constatado, o Sistema Aqüífero Guarani
é um velho conhecido, desde os tempos em que era representado
por outros nomes. Ainda hoje responde pelo abastecimento total ou
parcial de importantes cidades do Rio Grande do Sul. |